Roncos em crianças e cirurgia de adenoides e amígdalas: entenda quando intervir para garantir uma boa qualidade de vida
O ronco em crianças, especialmente quando persistente, pode ser sinal de hipertrofia de adenoide e amígdalas (aumento dessas estruturas). Trata-se de uma condição que compromete a respiração, o sono e pode afetar inclusive o desenvolvimento infantil. Em casos graves, pode causar apneia do sono, baixo rendimento escolar e até complicações cardiovasculares. Casos menos severos, em geral, podem ser manejados clinicamente, sem necessidade de intervenção cirúrgica.
1. Principais causas de roncos na infância
• Aumento da adenoide e amígdalas: Obstrução das vias aéreas superiores, comum entre 2 e 8 anos.
• Rinite alérgica ou sinusite: Inflamação crônica que agrava a respiração nasal.
• Fatores anatômicos: Palato estreito, mandíbula retraída ou obesidade infantil.
2. Sintomas que merecem atenção
• Ronco alto e frequente.
• Respiração oral constante e voz anasalada.
• Pausas respiratórias durante o sono (apneia).
• Sono agitado, pesadelos ou enurese noturna (xixi na cama).
• Dificuldade de concentração, irritabilidade ou cansaço diurno.
• Infecções recorrentes (amigdalites, otites).
3. Diagnóstico
• Avaliação Clínica: Exame físico detalhado e história médica (sono, infecções prévias).
• Nasofibroscopia: Visualização da adenoide para medir o grau de obstrução.
• Polissonografia: Exame do sono em casos suspeitos de apneia grave ou refratários.
Abordagem Clínica
Tratamento Clínico:
• Controle de alergias com corticosteroides nasais e anti-histamínicos.
• Antibióticos para infecções bacterianas agudas quando necessário (ex.: amigdalites).
• Higiene do sono.
Tratamento cirúrgico: adenoidectomia e amigdalectomia
• Indicação: Apneia do sono moderada a grave, infecções recorrentes (≥7 episódios/ano) ou prejuízo no desenvolvimento.
• Técnica: Realizada sob anestesia geral, com remoção das amígdalas e/ou adenoide por métodos seguros (ex.: dissecação a frio, microdebridador).
Quando Procurar um Otorrinolaringologista?
• Ronco persistente acompanhado de pausas respiratórias.
• Criança que acorda frequentemente cansada ou com mau desempenho escolar.
• Infecções de garganta ou ouvido recorrentes.
• Respiração oral crônica e alterações na fala.
Gabriel Reis Castro
Médico Otorrinolaringologista
CRM 5392 / RQE 4013